teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste
Seção : drops - Notícias - 04/03/2010 06:10
Play: Numismata
|
Por Tomaz de Alvarenga Perplexidade. Não há outro sentimento ao escutar “Chorume” segundo cd dos paulistanos do Numismata, lançado em 2009. Impressiona pela qualidade e principalmente pela facilidade em fundir e manter em sincronia estilos musicais tão diversos em apenas 10 faixas. A proeza é por conta de Adalberto Rabelo (guitarra e vocal), André Vilela (guitarra e vocal), Carlos H. (baixo), Carlos Russo (vocal e percussão), Felipe Veiga (bateria e percussão) e Piero Damiani (voz e teclado). “Fernando” é um mambo absurdo, você perde o fôlego com o sax, xilofone e o piano. “Todo Céu e Essas Pequenas Coisas” coloca no chinelo Grandaddy ou qualquer banda de “space rock” que você gostar. Luiz Melodia canta em “Prejuízo”, um rock cheio de suingue, altamente lucrativo. Kassin colabora no quase-samba “Um Inferno É Um Pouco Mais”. A valsa “A Passos Largos” poderia ser de qualquer medalhão da mpb, de tão bonita. Com Maria Alcina e Rita Maria, o samba “Anhanguera” é absolutamente obrigatório, assim como a marchinha “A Vida Como Ela É”. O guitarrista André Vilela dá mais detalhes sobre a coleção sonora chamada Numismata: 1. Por que o nome Numismata? Quem batizou o Numismata foi o Adalberto, idealizador e fundador da banda. Mas, depois de 8 anos tocando junto, já posso falar sobre nossa "graça". Numismata é, como poucos sabem, um colecionador de moedas, que pratica a numismática. Com o lançamento do álbum Chorume, que traz tantas referências musicais diferentes, fica mais fácil associar a ideia de coleção e objetos de valor (moedas, notas e medalhas) a uma coletânea de ritmos e tendências musicais. Gosto de lembrar que, apesar da versatilidade e também de uma certa hibridez (principalmente de rock com samba) do nosso primeiro disco, Brazilians on the Moon, nossa mistura musical não soava tão vasta que pudesse ser classificada como uma coleção. Daí recordo a explicação de Adalberto para esse nome, como sempre figuindo ao óbvio, e mais interessante e consistente. A palavra é sonoramente interessante e, como muitos não a conhecem, soa como nome próprio, invenção. Soa alienígena, como diz Adalbaerto, mas não é, está nos dicionários de Língua Portuguesa, e isso que é legal. É a estranheza no nosso próprio vocabulário e linguagem. E numismata é numismata em vários idiomas, pode pesquisar. A etimologia da palavra é muito legal, "num-" em latim deriva do grego nom- (de nomos = norma). Portanto, o numismata coleciona objetos de valor determinado por lei (convenção) e não naturalmente, como metais preciosos, cujo valor é medido por sua raridade. Aí, se voltarmos àquela primeira analogia, da diversidade musical como uma coletânea/coleção de valores, Chorume fecha essa brincadeira: é o sumo do resto do lixo - é pior que o lixo e nós que atribuímos valor a ele. 2. Como reunir tantas influências tão distintas? É fácil chegar a um consenso em uma banda com tantos integrantes? Não. É impossível chegar a um consenso no Numismata, isso nunca acontece. Acho que a gente só chega a consensos em coisas do tipo "Olha, tá chovendo", "É, tá mesmo". E a gente nem quer. Claro, conseguimos fechar alguns arranjos e definir caminhos importantes, mas, mesmo no gerenciamento da banda, sempre atravancamos e demoramos a chegar em algo que seja pelo menos satisfatório para todos. Até hoje, por exemplo, não temos um clipe. O uniforme que agora usamos como figurino para tocar, até as vésperas do lançamento do disco, nem todo mundo sabia que ia se vestir daquele jeito... Mas acho que para a música, isso é bom, muito bom. Musicalmente, não queremos mesmo um consenso. Todos nós, sem exceção, em algum momento, tocamos algo no Numismata que jamais tocaríamos numa banda "pessoal". E essa é a graça da banda, por isso nosso som é assim, e lidar com essas diferenças de concepção, temperamento e estilo musical é o que foi moldando o show que temos hoje. De certa maneira, quando não pode ser tudo exatamente do jeito que você quer, você acaba lidando com o processo de uma forma menos subjetiva, e de um jeito bom, com olhos mais críticos, analíticos. Nossa presença no palco não tem nada de atitude punk, indie, rock 'n'roll, mpb ou bossa nova. No fim, acabamos meio que dirigindo o show, que fica com uma cara de espetáculo. Todos que nos assistem acham espontâneo e divertido, mas é um show praticamente roteirizado do início ao fim. Esse é um dos bons reflexos da nossa falta de consenso, como a natureza híbrida da nossa música é outro. 3. É mais fácil ou difícil se inserir dentro do cenário independente fazendo um som inclassificável? Que pode agradar um leque absurdo de pessoas, mas que ao mesmo tempo causar estranheza aos menos "plurais" ou versáteis? Olha, é difícil se inserir no cenário por muitos motivos: falta de espaço, de público, de investimento, de divulgação, de dinheiro etc. Nossa agência, a Alavanca, faz um trabalho quase de penitência garimpando lugares, sites e rádios com todo o tipo de perfil de público que possa nos digerir. É duro, mas aparece todo tipo de gente (e críticos musicais) gostando da nossa música. Acompanho os comentários no Twitter e sites especializados, e quando vou checar playlists e outras preferências destes "fãs", me surpreendo em ver até onde vamos, com que gostos nos misturamos. O difícil é chegar nas pessoas, não agradá-las. Eu já disse que praticamente qualquer um que goste de algo entre Cartola e Helmet vai gostar de Numismata. Os obstáculos são os meios, não as pessoas... Superados estes obstáculos, não acho que nossa "inclassificabilidade" seja um estorvo. Especialmente se pensarmos na lógica do playlist, que substituiu os ábuns. Particularmnte, depois de um esforço absurdo para escutar o Chorume por fora, com ouvidos neutros (e claro que isso não rola de verdade, mas vá lá, consideremos até onde eu consegui chegar, para todos os efeitos), eu acho esse um grande álbum, com o tipo de coerência (podemos não ser consensuais, mas somos coerentes) e projeto típicos daquilo que chamávamos de álbum. Mas hoje, os ouvintes elaboram playlists, e uma ou outra faixa desse disco sempre vai pode entrar em várias playlists. E para quem ainda tem uma velha atitude melômana, ouvir o Chorume como um disco coeso e honesto, vai ser uma delícia, tenho certeza |
- Notícias
-
Confira entrevista exclusiva com Rodrigo Amarante
- Play: Sueteres
- Play: Johnny Suxxx and the Fucking Boys
- Play: conheça a banda Pullovers
- Play: Jair Naves
- Play: Todas as coisas de Mallu Magalhães
-
Play: banda Pública
-
Play: Nevilton
- Play: Aumenta que é rock
- Play: Firebug
-
Banda Best Place prepara novo CD e lamenta competitividade dentro da música feita na cidade
-
Play: Violins
- Play: Superguidis
- Play: Cinco dias flamejantes
- Play: Céu sem limites
- Play: Sem fronteiras
- Play: Simples Assim



Aguarde.....