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Seção : Música - 25/04/2011 11:50
Sidnei de Oliveira lança primeiro disco solo
O premiado músico gaúcho apresenta trabalho com composições próprias, que mescla instrumentos de orquestra com sonoridade da viola de 10 cordas
Eduardo Tristão Girão - EM Cultura
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Gravado entre outubro e novembro em São Paulo, onde o violeiro mora há três anos, o disco conta com 12 músicas instrumentais escritas por ele desde 2005 e a releitura de Lamparina da noite, de Adelmo Arcoverde. Inicialmente pensado para ser só de viola, o trabalho terminou com a participação de 10 músicos. Não houve ensaios com nenhum deles: todos receberam suas respectivas partituras por e-mail e, na véspera de cada gravação, repassaram as músicas com Sidnei. “Foi uma experiência grandiosa gravar com eles. Alguns têm de estrada o que tenho de idade”, conta o artista, de 30 anos. Entre os que participaram das gravações estão o baixista Antonio Porto, o percussionista Papete e o violeiro Almir Sater, todos eles músicos da banda de Almir Sater. Destaque também para a participação do conterrâneo Renato Borghetti, que tocou gaita ponto na faixa Dez cordas e um chamamé. “Não fico parado em uma ou duas afinações de viola. Vou mexendo nos tarrachos, gostando e compondo. Sobre técnica, toco as cordas separadamente e não em duplas. Minhas influências são Almir Sater na parte harmônica e Wagner e ópera, que me ajudam a escrever arranjos para instrumentos de corda”, afirma. Filosofia Entre suas bem-sucedidas experiências com outros instrumentos estão Cariú, Caminho, Aurora e Imagens, cada qual com seu destaque, seja a singeleza do violoncelo com a flauta, seja a célula rítmica que embala o toque de viola. Contra a maré, uma das mais belas, tem algo de Esplendor, apesar de ter sido a última escrita antes do início das gravações. Vale ressaltar também sua ousadia em Esperança e Solidão, faixas de concepção orquestral que abrigam, além das 10 cordas caipiras, violino, viola, violoncelo e baixo acústico. Aliás, atualmente Sidnei deixou de lado a composição para dedicar-se a arranjos de música erudita para viola caipira, violoncelo e flauta ao lado da mulher, a cantora lírica Lenara Abreu. Justamente por causa disso, ele provavelmente não lançará outro disco como Prólogo, dedicado a desenvolver o repertório instrumental da viola caipira. “Para mim, é um projeto mais gratificante por causa do conceito de música que tenho”, justifica. Está entre seus planos, por exemplo, escrever uma sinfonia de viola com orquestra de cordas. Sem falar na conclusão do mestrado em filosofia da música e no futuro doutorado, que deverá ter como tema a relação entre viola e filosofia. A propósito, o filósofo alemão Schopenhauer é um de seus principais mentores – inclusive na música. Em Minas O violeiro mineiro Bilora não participa do disco, mas foi homenageado por Sidnei na música Quase mineiro. “Ele é um grande amigo, figura única. Compõe e toca muito bem o calango”, elogia o gaúcho. Foi na casa dele que Sidnei ficou hospedado quando veio buscar a viola que encomendou (na companhia de Pereira da Viola) ao luthier Vergílio Lima, de Sabará, cidade vizinha a Belo Horizonte. Segundo ele, esse instrumento é o melhor que já tocou até hoje.
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