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Seção : Mundo Ela - Livro - 25/02/2012 01:48
E o Oscar vai para...
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Pollyana Teixeira A maior e mais famosa premiação do cinema mundial está em sua 84ª edição, que acontece neste domingo, dia 26, em Los Angeles. Aproveitando a deixa, o Mundo Ela apresenta os cinco filmes indicados ao prêmio de Melhor Figurino. Como já é habitual do Oscar, os filmes de época prevalecem, mas este ano abrangem períodos históricos bem distintos: da Inglaterra dos séculos XVI e XIX à Paris da década de 1930, passando pela Hollywood de 1920. Aproveite as dicas porque ainda dá tempo de ver alguns e ficar na torcida. O filme britânico “Jane Eyre” é adaptado do romance homônimo publicado pela escritora inglesa Charlotte Brontë em 1847. O filme narra em flashbacks a história de uma menina órfã rejeitada pela tia, que passa por um colégio interno e, depois de alguns anos, sem muitos recursos, se torna preceptora e governanta na casa de um rico senhor, por quem se apaixona. Michael O’Connor (Oscar por A Duquesa, 2008) é o figurinista do filme. Em Jane Eyre, a indumentária tem o estilo da era vitoriana e ajuda a compor o clima sombrio do filme, além de ser um marcador da evolução da personagem Jane Eyre. Os vestidos escuros e de tecidos rústicos vão dando lugar a peças mais claras à medida em que a própria personagem se transforma ao longo da trama, abandona a aura de tristeza e solidão, se apaixona e ainda se torna uma rica herdeira. Tudo muito eficiente, mas não faz brilhar os olhos. Anonymous, outra produção britânica, é um suspense histórico também ambientando na Inglaterra, porém no século XVI, à época do reinado da rainha Elizabeth I. O filme explora uma teoria (ou conspiração?) há muito debatida por alguns intelectuais, de que o grande dramaturgo inglês William Shakespeare seria na verdade um charlatão, um ator medíocre e analfabeto que se tornou uma espécie de testa de ferro do verdadeiro autor das peças, o conde de Oxford Edward de Vere, que por conta da censura da época se manteve anônimo. A figurinista Lisy Christl, estreante no Oscar, encarou o desafio de retratar o período elizabetano em trajes predominantemente masculinos e, e ainda assim, realizou um trabalho de encher os olhos, tamanha a beleza e o destaque que se percebe para os ornamentos, mesmo nos trajes militares. A rainha Elizabeth, única figura feminina de destaque, é responsável pelas roupas ainda mais ornamentadas e em tons mais coloridos. O terceiro indicado da nossa lista é W.E. – O Romance do Século, dirigido por ninguém menos que Madonna, e traz a trajetória real do Rei Edward VIII, que no final da década de 1930 abdicou do trono inglês para casar com a socialite americana (e divorciada duas vezes) Wallis Simpson. O figurino de “W.E.” foi elaborado por Arianne Phillips, stylist da própria Madonna e já indicada por duas vezes. A personagem de Wallis Simpson, vivida por Andrea Riseborough, ganhou um “guarda-roupa” de mais de 80 vestidos, e as marcas? Balenciaga, Christian Dior, John Galliano, Vionnet e Issa, além de joias Pierre Cartier e chapéus Stephen Jones. Um verdadeiro deleite para os nosso olhos mais contemporâneos. O Artista é a presença mais curiosa da lista. O famoso filme mudo e em preto e branco teve, entre suas 10 indicações, uma também para de Melhor Figurino. O filme trata com humor, leveza, ironia e ao mesmo tempo drama, a inadequação e a decadência de um ator célebre do cinema mudo frente ao surgimento do cinema falado. Mark Bridges, responsável pelo figurino do filme recriou com perfeição o charme e o glamour das estrelas hollywoodianas da década de 30. Inclusive, pode se considerar o figurino em O Artista, uma vez que este foi de fato filmado tal qual um antigo filme mudo, de forma mais simples, grandes pirotecnias, efeitos visuais e grandes planos e tomadas, como elemento substancial para demarcar de fato o período histórico do filme. Assim, tem seu mérito. Deixo por último o preferido: A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorcese. Ambientado na Paris dos anos 30, conta a história de um garoto órfão de 12 anos que vive e trabalha em uma estação ferroviária mantendo os relógios, roubando comida e tentando finalizar o projeto que seu pai deixou antes de morrer: um robô autômato. O figurino é de responsabilidade da experiente Sandy Powell, dez vezes indicada e vencedora em três (“A Jovem Rainha Victoria” em 2009, “O Aviador” em 2004, e “Shakespeare Apaixonado” em 1998) e é especial porque o brilho é dividido entre todos os personagens da história, inclusive entre os figurantes, lindamente vestidos e ornamentados. Os dois jovens protagonistas são perfeitos parisienses da década de 30, vestidos em seus casaquinhos de tweed, suas meias aparentes e a clássica boina. Um charme! Pollyana Teixeira, 26, estudante de jornalismo, viciada em informação de moda, cinema, arte e literatura. |
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